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Matemática, ciência e tomada de decisões: contribuições da Educação Matemática para a formação do pensamento crítico

Índice

Resumo

A matemática desempenha papel central na formação do pensamento lógico, crítico e analítico, constituindo-se como elemento fundamental nos processos de tomada de decisões em diferentes contextos sociais, educacionais e profissionais. Este artigo tem como objetivo discutir como a matemática contribui para a tomada de decisões, a partir de uma abordagem teórica e reflexiva, alinhada ao campo da Educação Matemática. Fundamentado em autores clássicos e contemporâneos da área, o texto evidencia que a matemática, compreendida como ciência e linguagem estruturante do pensamento, favorece a autonomia intelectual, a resolução de problemas e a construção de sujeitos capazes de analisar, argumentar e decidir de forma consciente. Conclui-se que a matemática, quando abordada para além do tecnicismo, constitui-se em instrumento potente para a formação cidadã e para a compreensão crítica da realidade.

Palavras-chave: Educação Matemática; tomada de decisões; pensamento crítico; ciência; formação de professores.

1 Introdução

A tomada de decisões é uma atividade inerente à vida humana e permeia escolhas cotidianas, profissionais e sociais. Em uma sociedade marcada pela complexidade e pela circulação intensa de informações, decidir de forma consciente exige competências que ultrapassam a intuição imediata. Nesse cenário, a matemática assume papel relevante, ao oferecer instrumentos para a análise, comparação e avaliação de alternativas.

No campo da Educação Matemática, tem-se ampliado a compreensão de que o ensino da matemática não deve restringir-se à transmissão de técnicas operatórias, mas contribuir para a formação do pensamento crítico, científico e da autonomia intelectual (D’AMBROSIO, 1996; SKOVSMOSE, 1994). A matemática, enquanto ciência, estrutura formas específicas de raciocínio que permitem ao sujeito compreender fenômenos, avaliar riscos e antecipar consequências.

Este artigo propõe uma reflexão teórica sobre o papel da matemática na tomada de decisões, dialogando com contribuições da Educação Matemática crítica e da formação reflexiva, com vistas a contribuir para o debate acadêmico e para a prática docente.

2 Educação Matemática e formação do pensamento decisório

A Educação Matemática contemporânea consolidou-se como um campo de investigação que considera não apenas os conteúdos matemáticos, mas também os processos cognitivos, sociais e culturais envolvidos na aprendizagem. Nesse contexto, a formação do pensamento decisório emerge como uma competência essencial, diretamente relacionada ao desenvolvimento do raciocínio matemático.

Skovsmose (1994) destaca que a matemática exerce influência significativa na organização da sociedade moderna, impactando decisões econômicas, políticas e tecnológicas. Assim, formar estudantes matematicamente competentes implica também formar cidadãos capazes de compreender, questionar e intervir criticamente na realidade social.

A literatura da área indica que a matemática favorece a autonomia intelectual ao estimular a análise de situações, a elaboração de hipóteses e a avaliação de consequências. Tais competências são fundamentais tanto no contexto escolar quanto na vida social e profissional.

3 O raciocínio lógico como base da tomada de decisões

O raciocínio lógico constitui um dos fundamentos da matemática e está diretamente relacionado à capacidade de tomar decisões coerentes e fundamentadas. Resolver problemas matemáticos envolve compreender a situação, estabelecer estratégias, executar procedimentos e verificar resultados, etapas que se assemelham aos processos decisórios presentes em diferentes contextos (POLYA, 2006).

D’Ambrosio (1996) ressalta que o desenvolvimento do pensamento lógico contribui para a formação de sujeitos críticos, capazes de questionar informações, identificar inconsistências e evitar conclusões precipitadas. Sob essa ótica, autores da Educação Matemática defendem que o ensino da matemática deve priorizar situações-problema que desafiem o estudante a pensar, argumentar e justificar suas escolhas, superando práticas baseadas apenas na repetição de algoritmos.

4 Modelagem matemática e situações do cotidiano

A modelagem matemática apresenta-se como estratégia pedagógica relevante para aproximar a matemática da realidade dos estudantes. Ao representar situações do mundo real por meio de modelos matemáticos, os sujeitos aprendem a lidar com variáveis, restrições e incertezas, elementos centrais nos processos de tomada de decisão.

Segundo Biembengut (2016), a modelagem favorece a compreensão de problemas complexos e contribui para uma aprendizagem significativa. Estudos sobre modelagem matemática indicam que, ao trabalhar com situações reais, o estudante percebe que decisões raramente são absolutas, mas envolvem escolhas entre alternativas possíveis, cada uma com implicações distintas.

5 Matemática, dados e tomada de decisões informadas

A crescente produção de dados na sociedade contemporânea exige competências matemáticas relacionadas à estatística e à probabilidade. A interpretação crítica de gráficos, tabelas e indicadores é condição indispensável para decisões fundamentadas.

Tufte (2001) argumenta que a visualização adequada de informações quantitativas contribui para a compreensão de padrões e tendências. Nessa direção, a literatura aponta que o ensino de estatística deve promover a análise crítica dos dados, possibilitando que os sujeitos tomem decisões baseadas em evidências e não apenas em opiniões.

6 Formação de professores e decisões pedagógicas

A tomada de decisões também permeia a prática docente. Professores de matemática decidem diariamente sobre metodologias, estratégias de ensino, avaliação e organização do tempo pedagógico. Assim, a formação inicial e continuada deve contemplar o desenvolvimento do pensamento reflexivo e decisório.

De acordo com Zeichner (2008), professores reflexivos são aqueles capazes de analisar criticamente sua prática e tomar decisões fundamentadas em princípios pedagógicos e evidências teóricas. Pesquisas na área reforçam que a matemática, além de objeto de ensino, constitui-se em instrumento para a reflexão sobre a própria prática docente.

7 Matemática, cidadania e responsabilidade social

A matemática influencia decisões que afetam diretamente a coletividade, como políticas públicas, planejamento urbano, economia e distribuição de recursos. Skovsmose (2001) argumenta que a Educação Matemática deve assumir um compromisso social, contribuindo para a formação de sujeitos capazes de compreender criticamente informações matemáticas presentes no cotidiano.

A apropriação consciente de conceitos matemáticos possibilita que os indivíduos participem de debates sociais, analisem dados divulgados pela mídia e tomem decisões fundamentadas em contextos de incerteza. Assim, a matemática desempenha papel central na formação da cidadania e da responsabilidade social.

8 Considerações finais

A matemática desempenha papel fundamental na formação do pensamento crítico e na tomada de decisões conscientes, ao contribuir para o desenvolvimento do raciocínio lógico, da análise de dados e da autonomia intelectual. No âmbito da Educação Matemática, compreender a matemática para além do tecnicismo implica reconhecer seu potencial formativo, científico e social.

Os argumentos discutidos neste artigo evidenciam que práticas pedagógicas fundamentadas em resolução de problemas, modelagem matemática e análise crítica de dados favorecem a formação de sujeitos capazes de decidir de maneira responsável e fundamentada. Dessa forma, a matemática reafirma seu papel como ciência essencial para a compreensão da realidade e para a formação cidadã.

Informações sobre o autor

Valdivino Sousa é licenciado e bacharel em Matemática, com pós-graduação em Matemática Comparada. Atua na área da Educação Matemática, com interesse em formação de professores, pensamento crítico e aplicações da matemática na vida social.

Valdivino Alves de Sousa

Valdivino Alves de Sousa é  MatemáticoContador,  Bacharel em Direito, Pedagogo e Mestre em Educação E-mail: valdivinosousa.mat@gmail.com

Referências

BIEMBENGUT, M. S. Modelagem matemática no ensino. São Paulo: Contexto, 2016.

D’AMBROSIO, U. Etnomatemática: um programa. São Paulo: Educação Matemática em Revista, 1996.

POLYA, G. A arte de resolver problemas. Rio de Janeiro: Interciência, 2006.

SKOVSMOSE, O. Educação matemática crítica. Campinas: Papirus, 1994.

SKOVSMOSE, O. Matemática em ação. Campinas: Papirus, 2001.

TUFTE, E. R. The visual display of quantitative information. Cheshire: Graphics Press, 2001.

ZEICHNER, K. Uma análise crítica sobre a formação reflexiva de professores. Educação & Sociedade, Campinas, v. 29, n. 103, p. 535–554, 2008.

 

 

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