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Alienação Parental: Impactos Emocionais e o Tratamento Jurídico

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A alienação parental é um fenômeno doloroso e silencioso que afeta milhares de famílias brasileiras. Ela ocorre quando um dos responsáveis — pai, mãe ou qualquer guardião — manipula a criança ou adolescente para que rejeite o outro genitor, criando medo, desconfiança, ódio ou distanciamento injustificado. Ao contrário do que muitos imaginam, a alienação não é apenas um conflito familiar: ela é um ato de violência emocional, com profundas consequências psicológicas e jurídicas.

Este artigo tem como objetivo explorar, numa perspectiva humana e acessível, como a alienação parental se instala, quais são seus efeitos na saúde mental e como o Judiciário brasileiro enxerga e trata esses casos.

O que é alienação parental?

A alienação parental é definida pela Lei nº 12.318/2010 como toda interferência na formação psicológica da criança promovida por um dos responsáveis, com o objetivo de prejudicar o vínculo com o outro genitor.
Essas interferências podem ocorrer de várias maneiras, como:

  • Difamar o outro genitor

  • Criar falsas memórias ou acusações infundadas

  • Impedir contato ou visitas

  • Omitir informações importantes sobre a criança

  • Gerar medo, culpa ou rejeição

É um processo contínuo. Muitas vezes começa como pequenas críticas e evolui para um distanciamento afetivo profundo.

Impactos emocionais na criança e no adolescente

A alienação parental provoca danos psicológicos que podem acompanhar a pessoa por toda a vida. Entre os impactos mais comuns estão:

1. Confusão emocional e culpa

A criança passa a acreditar que está traindo um dos pais ao amar o outro. Isso gera um conflito interno intenso, conhecido como “lealdade dividida”.

2. Ansiedade e baixa autoestima

Quando um dos cuidadores é constantemente desqualificado, a criança perde referências emocionais importantes. Ela se sente insegura, incapaz e culpada por conflitos que não compreende.

3. Depressão e isolamento

A ruptura do vínculo afetivo produz um vazio emocional. Em longo prazo, pode aparecer tristeza persistente, apatia e retraimento social.

4. Dificuldades futuras em relacionamentos

Crianças alienadas podem, na vida adulta, repetir padrões de rejeição, medo de abandono e dificuldade de confiar nas pessoas — especialmente em vínculos amorosos.

5. Risco de transtornos psicológicos

Estudos clínicos apontam que crianças expostas à alienação apresentam maior probabilidade de desenvolver:

  • Transtorno de ansiedade

  • Transtorno de estresse pós-traumático

  • Transtornos de personalidade

  • Hostilidade e agressividade

A alienação parental é, portanto, uma forma de abuso emocional que altera o desenvolvimento afetivo e cognitivo.

O papel do alienador: manipulação emocional silenciosa

Em muitos casos, o alienador utiliza estratégias sutis e difíceis de identificar:

  • “Seu pai não liga para você.”

  • “Se você for visitar sua mãe, eu vou ficar triste.”

  • “Ele nunca quis saber de nós.”

  • “Você não precisa ver seu pai, ele é perigoso.”

Essas afirmações — mesmo quando ditas de forma aparentemente inocente — constroem uma narrativa falsa e poderosa. A criança, por amar ambos os pais, absorve as falas como verdades absolutas.

Consequências para o genitor alienado

O pai ou a mãe vítima de alienação parental sofre com:

  • dor emocional por perder o vínculo

  • sentimento de impotência

  • rejeição injustificada pelo próprio filho

  • desgaste financeiro e judicial

  • estigmatização dentro da família e sociedade

Muitos relatam a experiência como uma morte afetiva em vida.

O tratamento jurídico no Brasil

O sistema jurídico brasileiro reconhece a alienação parental como uma violação grave ao direito da criança de conviver com ambos os pais. A legislação prevê diversas medidas, como:

1. Advertência ao responsável

Quando a alienação está no início, o juiz pode determinar advertências formais.

2. Ampliação do regime de convivência

O Judiciário pode aumentar o tempo de convivência do genitor alienado.

3. Acompanhamento psicológico

Tanto a criança quanto os pais podem ser submetidos a acompanhamento psicoterapêutico.

4. Inversão da guarda

Quando há alienação grave, o juiz pode transferir a guarda para o genitor alienado.

5. Suspensão da autoridade parental

Em casos extremos, o alienador pode perder temporariamente ou definitivamente o poder familiar.

6. Responsabilização criminal

Embora ainda seja um tema polêmico, falsas denúncias — comuns em contextos de alienação — podem levar a ações penais.

O foco do Judiciário é proteger a criança, não punir por punir.

A atuação da psicologia nos casos de alienação parental

O papel do psicólogo é fundamental:

  • avaliar os vínculos afetivos

  • identificar manipulações emocionais

  • mapear traumas

  • emitir laudos e pareceres técnicos

  • ajudar na reconstrução do vínculo familiar

A psicologia é a ponte entre a dor emocional e a reparação possível.

Conclusão: alienação parental é violência — e precisa ser enfrentada

A alienação parental destrói relações, corrompe memórias e deixa marcas profundas na vida psíquica da criança. É um problema jurídico, emocional e social.
Proteger a infância significa combater a alienação desde os primeiros sinais.

A solução nunca será a disputa entre pais — e sim o cuidado, a empatia e a preservação saudável dos vínculos afetivos.

Valdivino Alves de Sousa é Psicólogo (CRP-SP 06/198683), Contador (CRC-SP 223709), Bacharel em Direito, Mestre em Educação, Matemático e Escritor. Site: www.valdivinosousa.com.br 

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