Matemática na BNCC: Guia de Habilidades e Planos de Aula
Introdução
A homologação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) redefiniu de maneira profunda o panorama pedagógico brasileiro, estabelecendo diretrizes normativas essenciais para o desenho dos currículos em todas as redes de ensino, sejam públicas ou privadas. No âmbito do ensino de matemática, o documento traz uma mudança paradigmática fundamental: o foco desloca-se da mera memorização de fórmulas e procedimentos mecânicos para o desenvolvimento do letramento matemático bncc. Esta concepção assegura que o estudante não apenas execute cálculos, mas compreenda, filtre, interprete e aplique os conhecimentos matemáticos para resolver problemas do mundo real em múltiplos contextos socioculturais.
Como pesquisador e doutor em Educação Matemática, observo que a BNCC matemática não visa simplificar os conteúdos formais, mas reestruturar a relação que os alunos estabelecem com o conhecimento abstrato. O aprendizado da disciplina passa a ser encarado como um direito de cidadania. Para os educadores, a implementação da matriz curricular matemática proposta pela Base exige uma revisão das práticas pedagógicas matemática, requisitando metodologias que estimulem a investigação, o raciocínio lógico, a argumentação consistente e o espírito crítico.
Este guia completo e atualizado destina-se a professores, coordenadores pedagógicos, licenciandos e pesquisadores que buscam compreender a fundo a arquitetura da BNCC e Matemática. Ao longo deste artigo, examinaremos detalhadamente desde o ensino na Educação Infantil até o Ensino Médio, desmistificando a estrutura dos códigos das habilidades bncc matemática, as unidades temáticas matemática bncc, a elaboração de um plano de aula matemática bncc de alto impacto e o uso de metodologias ativas no ensino de matemática. Trata-se de um manual teórico e prático projetado para transformar suas sequências didáticas matemática bncc e potencializar a aprendizagem em sala de aula.
Desenvolvimento
O Conceito de Letramento Matemático e as Competências Específicas
O conceito central que orienta a BNCC matemática em todas as suas etapas é o de letramento matemático bncc. O documento define esse letramento como a capacidade individual de formular, empregar e interpretar a matemática em uma variedade de contextos. Isso inclui o raciocínio quantitativo, a utilização de conceitos, procedimentos, fatos e ferramentas matemáticas para descrever, explicar e prever fenômenos.
Para assegurar o desenvolvimento pleno dessa capacidade, a norma estabelece oito competências bncc matemática essenciais para o Ensino Fundamental e que se desdobram com maior sofisticação no Ensino Médio. Tais competências orientam as decisões metodológicas e os processos de planejamento de aula matemática. As competências englobam:
- Reconhecimento da Matemática como ciência humana: Compreender a disciplina como uma construção cultural em constante evolução, fruto da necessidade da humanidade de responder a desafios práticos e abstratos.
- Desenvolvimento do raciocínio lógico e da argumentação: Formular conjecturas, fazer generalizações, testar hipóteses e validar argumentos utilizando a linguagem matemática rigorosa e acessível.
- Compreensão e aplicação de conceitos: Inter-relacionar conceitos de diferentes áreas da matemática e aplicá-los na modelagem de situações do cotidiano e de outras ciências.
- Resolução de problemas: Enfrentar situações-problema inéditas, demonstrando perseverança, espírito investigativo e capacidade de criar estratégias próprias em vez de apenas reproduzir algoritmos prontos.
- Comunicação em linguagem matemática: Expressar-se claramente utilizando tabelas, gráficos, diagramas, textos explicativos e símbolos formais.
- Utilização de tecnologias digitais: Empregar calculadoras, softwares de geometria dinâmica, planilhas eletrônicas e ferramentas digitais para explorar conceitos, realizar simulações e validar resultados.
- Interação social e trabalho colaborativo: Trabalhar em equipes de forma respeitosa, compartilhando saberes, debatendo soluções e aprendendo com os erros próprios e alheios.
- Autonomia e engajamento ético: Agir com autonomia, responsabilidade e postura crítica diante de dados estatísticos e informações financeiras que impactam a sociedade.
Estrutura Geral: Unidades Temáticas e Objetos de Conhecimento
A organização curricular do Ensino Fundamental na BNCC matemática está estruturada em cinco unidades temáticas matemática bncc. Cada uma delas agrega objetos de conhecimento matemática bncc (que correspondem aos conteúdos, conceitos e processos) e um conjunto articulado de habilidades.
As cinco unidades temáticas são:
- Números: Focada no desenvolvimento do pensamento numérico, na compreensão dos sistemas de numeração, nas operações fundamentais, na proporcionalidade e na estimativa. Integrada intrinsecamente às relações algébricas nos anos mais avançados, consolidando os pilares de números e álgebra bncc.
- Álgebra: Introduzida desde os anos iniciais para desenvolver o pensamento algébrico sem o foco precoce na manipulação de equações complexas. Prioriza o reconhecimento de padrões, regularidades, sequências recursivas e não recursivas, além da ideia de equivalência e relação de dependência entre grandezas.
- Geometria na BNCC: Enfatiza o estudo de formas espaciais e planas, suas propriedades, transformações geométricas, localização e orientação no espaço. Valoriza o pensamento espacial, a visualização e a construção geométrica com diferentes instrumentos.
- Grandezas e Medidas BNCC: Conecta a matemática ao mundo físico de forma interdisciplinar. Aborda o ato de medir como uma comparação entre grandezas, trabalhando conceitos de comprimento, massa, tempo, área, volume, capacidade, temperatura e o sistema monetário brasileiro.
- Probabilidade e Estatística BNCC: Prepara o estudante para coletar, organizar, tabular, analisar e interpretar dados contextuais. Desenvolve o raciocínio combinatório e a capacidade de tomar decisões informadas com base na análise de chances e riscos de eventos aleatórios.
Além dessas cinco unidades, a BNCC destaca transversalmente o pensamento computacional matemática. Esta dimensão não se limita ao uso de computadores, mas refere-se à habilidade de decompor problemas complexos, reconhecer padrões, desenhar algoritmos (passo a passo lógico) e abstrair informações irrelevantes para encontrar soluções eficientes.
A Progressão da Matemática pelas Etapas da Educação Básica
As diretrizes curriculares matemática estabelecem que a aprendizagem deve seguir uma espiral ascendente de complexidade, respeitando o desenvolvimento cognitivo e emocional dos estudantes em cada etapa escolar.
1. Educação Infantil Matemática BNCC
Na Educação Infantil, a matemática não é dividida em disciplinas formais, mas manifesta-se por meio dos Campos de Experiências. A educação infantil matemática bncc baseia-se no brincar e no interagir. As crianças exploram noções de espaço (frente, trás, em cima, embaixo), tempo (ontem, hoje, amanhã), quantidade (muito, pouco, igual), formas e classificações. Atividades lúdicas com blocos de construção, jogos de encaixe e cantigas contadas estabelecem a fundação pré-numérica essencial para a etapa seguinte.
2. Matemática nos Anos Iniciais (1º ao 5º ano)
A fase da matemática nos anos iniciais marca a consolidação da alfabetização matemática. O trabalho pedagógico exige o uso intensivo de materiais concretos (como o Material Dourado, ábacos, escala Cuisenaire e jogos educativos).
No bncc matemática 1 ano, o foco recai sobre a contagem, o reconhecimento de algarismos, a comparação de quantidades, a noção de adição e subtração, e o reconhecimento de figuras geométricas do cotidiano. À medida que avançam, os estudantes ingressam na multiplicação, divisão e na representação fracionária dos números racionais.
Ao alcançar o bncc matemática 5 ano, espera-se que os alunos dominem as operações com números naturais e racionais na representação decimal e fracionária, compreendam o cálculo de áreas de figuras simples e interpretem gráficos de colunas e tabelas duplas, aplicando esses saberes na resolução de situações reais.
3. Matemática nos Anos Finais (6º ao 9º ano)
A transição para a matemática nos anos finais exige do estudante maior abstração. A linguagem simbólica torna-se mais frequente, e a formalização matemática ganha espaço pedagógico significativo.
No bncc matemática 6 ano, os estudantes enfrentam o desafio da transição de professor polivalente para docentes especialistas. Os conteúdos aprofundam o estudo dos números racionais, a introdução das variáveis e expressões algébricas, a geometria espacial e plana refinada, e a análise de probabilidade frequentista. Entre o 7º e o 9º ano, aprofundam-se as equações, funções, teorema de Pitágoras, relações trigonométricas e a análise estatística avançada.
4. Matemática Ensino Médio BNCC
Na última etapa da Educação Básica, a matemática ensino médio bncc está inserida na área de Matemática e suas Tecnologias. O foco passa a ser o aprofundamento das competências, a modelagem matemática de situações socioculturais e econômicas e o estudo sistemático de funções, geometria analítica, trigonometria, matrizes e estatística inferencial. Os estudantes são incentivados a construir projetos investigativos, relacionando o saber matemático ao seu projeto de vida e ao mercado de trabalho contemporâneo.
Entendendo a Codificação das Habilidades na BNCC
Um dos pontos que costuma gerar dúvidas durante o planejamento de aula matemática é a leitura dos códigos das habilidades bncc matemática. O código é uma estrutura alfa-numérica alinhada de forma precisa:
Tomemos como exemplo o código EF06MA01:
- EF: Indica a etapa do ensino (Ensino Fundamental). Para o Ensino Médio, utiliza-se EM. Para a Educação Infantil, a estrutura varia de acordo com os campos de experiência.
- 06: Indica o ano escolar a que se refere a habilidade (neste caso, 6º ano). Para blocos de anos (comum no Ensino Médio ou Anos Iniciais), pode apresentar pares como 15 (1º ao 5º ano) ou 69 (6º ao 9º ano).
- MA: Identifica o componente curricular (Matemática).
- 01: Indica a posição ordinal da habilidade na sequência do ano escolar.
Compreender essa nomenclatura facilita a busca e o alinhamento das atividades de matemática alinhadas à bncc com as propostas curriculares estaduais e municipais.
Tabela de Mapeamento: Unidades Temáticas, Habilidades e Códigos
A tabela a seguir exemplifica como os objetos de conhecimento matemática bncc e os códigos de habilidades articulam-se dentro do currículo de matemática bncc ao longo do Ensino Fundamental:
| Unidade Temática | Ano Escolar | Objeto de Conhecimento | Código da Habilidade | Descrição Resumida da Habilidade |
| Números | 1º Ano | Contagem de rotina e quantificação | EF01MA01 | Utilizar números naturais como indicador de quantidade ou de ordem em diferentes situações cotidianas. |
| Geometria | 1º Ano | Figuras geométricas espaciais | EF01MA13 | Reconhecer e nomear figuras geométricas espaciais (esfera, cilindro, cubo) em objetos do mundo físico. |
| Álgebra | 5º Ano | Propriedades da igualdade e noção de equivalência | EF05MA10 | Concluir que uma igualdade não se altera ao adicionar, subtrair, multiplicar ou dividir seus membros por um mesmo número. |
| Grandezas e Medidas | 5º Ano | Área e perímetro de figuras poligonais | EF05MA20 | Concluir que figuras de mesmo perímetro podem ter áreas diferentes e que figuras de mesma área podem ter perímetros diferentes. |
| Números | 6º Ano | Operações com números racionais decimais | EF06MA11 | Resolver e elaborar problemas com números racionais positivos na representação decimal (adição, subtração, multiplicação e divisão). |
| Probabilidade e Estatística | 6º Ano | Leitura e interpretação de tabelas e gráficos | EF06MA31 | Identificar as variáveis e a fidelidade da informação mostrada em gráficos de colunas, setores e linhas. |
Metodologias Ativas no Ensino de Matemática
A simples exposição verbal de conteúdos e a resolução exaustiva de listas de exercícios repetitivos não atendem às exigências das diretrizes curriculares matemática estabelecidas pela BNCC. A implementação efetiva do documento requer a adoção de metodologias ativas no ensino de matemática, colocando o aluno no centro do processo de aprendizagem.
Destacam-se as seguintes metodologias pedagógicas para o ensino da disciplina:
1. Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL – Problem-Based Learning)
A metodologia de resoluções de problemas matemática não deve ser vista como uma aplicação final do conteúdo recém-explicado, mas como o ponto de partida para a construção do conhecimento. Ao enfrentar uma situação-problema autêntica e desafiadora, o estudante é estimulado a levantar hipóteses, mobilizar saberes prévios, pesquisar novos conceitos e propor soluções criativas.
2. Modelagem Matemática
A Modelagem Matemática consiste na transformação de problemas da realidade (econômicos, ambientais, sociais ou biológicos) em problemas matemáticos. Através da coleta de dados reais, simplificação e formulação de equações ou gráficos, os alunos testam a validade dos seus modelos em relação ao mundo real, conferindo sentido sociocultural ao conhecimento matemático.
3. Gamificação e Jogos Pedagógicos
O uso de jogos (sejam tabuleiros físicos, jogos de cartas ou plataformas digitais interativas) desenvolve o raciocínio estratégico, o pensamento computacional e a resiliência diante do erro. Os jogos criam um ambiente seguro para o teste de conjecturas sem o peso da punição por erros conceituais temporários.
4. Sala de Aula Invertida (Flipped Classroom)
Os estudantes têm o primeiro contato com os conceitos teóricos prévios em casa, por meio de videoaulas, leituras guiadas ou simulações interativas. O tempo presencial em sala de aula é otimizado para discussões profundas, trabalhos em equipe, resolução de problemas complexos e mediação direta do docente.
Guia Prático: Como Elaborar um Plano de Aula Alinhado à BNCC
Para construir um plano de aula matemática bncc robusto e eficiente, o professor deve seguir um roteiro bem estruturado. A seguir, apresentamos o passo a passo fundamental e uma ilustração detalhada de proposta didática.
Passo a Passo para o Planejamento de Aula Matemática:
- Identificação do Ano/Etapa e Tema: Definir claramente a turma e a temática central a ser investigada.
- Seleção das Habilidades da BNCC: Identificar os códigos das habilidades bncc matemática que serão trabalhados diretamente.
- Definição dos Objetivos de Aprendizagem: Expressar em verbos de ação o que os alunos deverão saber, compreender ou ser capazes de fazer ao final da sequência.
- Escolha do Recurso Didático: Mapear os recursos didáticos para matemática necessários (materiais manipuláveis, softwares, jogos, impressos).
- Detalhamento do Desenvolvimento Metodológico: Estruturar o passo a passo das etapas da aula (sensibilização, problematização, investigação, formalização e síntese).
- Estratégia de Avaliação: Estabelecer critérios e instrumentos formativos para verificar a consolidação das habilidades propostas.
Exemplo Prático de Plano de Aula: Anos Iniciais (5º Ano)
Tema: Compreendendo Perímetro e Área na Prática Escolar.
Público-alvo: 5º Ano do Ensino Fundamental.
Duração: 2 aulas de 50 minutos (100 minutos).
Unidade Temática: Grandezas e Medidas.
Habilidade BNCC: (EF05MA20) Concluir, por meio de investigações, que figuras de mesmo perímetro podem ter áreas diferentes e que figuras de mesma área podem ter perímetros diferentes.
Objetivos de Aprendizagem:
- Diferenciar experimentalmente os conceitos de perímetro (medida do contorno) e área (medida da superfície).
- Construir diferentes polígonos no malha quadriculada mantendo a área fixa e variando os perímetros.
- Argumentar coletivamente sobre os resultados encontrados nas investigações.
Recursos Didáticos: Papel quadriculado, réguas, barbante, tesoura, lápis de cor e geoplanos (físicos ou digitais).
Desenvolvimento Metodológico:
- Sensibilização e Problematização (15 min): O professor apresenta dois canteiros de horta desenhados na lousa, ambos compostos por 12 metros quadrados de área, mas com formatos distintos (1x12m e 3x4m). Pergunta aos alunos: “Se precisarmos cercar esses dois canteiros com fita, usaremos a mesma quantidade de material?” Os alunos registram suas hipóteses iniciais.
- Atividade Investigativa em Duplas (35 min): Cada dupla recebe uma folha de papel quadriculado onde cada quadradinho representa 1 unidade de área ($1 cm^2$). Desafio: Desenhar quatro figuras diferentes, cada uma ocupando exatamente 16 quadradinhos ($16 cm^2$). Em seguida, com o auxílio do barbante ou réguas, calcular o perímetro de cada figura criada e registrar em uma tabela comparativa.
- Discussão e Socialização (20 min): As duplas apresentam suas produções no painel da sala. O professor atua como mediador, provocando a reflexão: “Todas as figuras possuem a mesma área? O que aconteceu com os perímetros? São iguais ou diferentes?”
- Formalização Conceitual (15 min): O docente ajuda a turma a formalizar a conclusão conceitual: figuras com a mesma área podem possuir perímetros completamente distintos. Registram-se as definições formais nos cadernos de forma contextualizada.
- Fechamento e Avaliação Formativa (15 min): Aplicação de um pequeno desafio individual no qual os alunos devem desenhar um retângulo de área igual a $12 cm^2$ que possua o maior perímetro possível.
Exemplo Prático de Plano de Aula: Anos Finais (6º Ano)
Tema: Introdução ao Pensamento Computacional e Algoritmos com Fluxogramas.
Público-alvo: 6º Ano do Ensino Fundamental.
Duração: 2 aulas de 50 minutos.
Unidade Temática: Números / Álgebra (Pensamento Computacional).
Habilidade BNCC: (EF06MA01 / EF06MA04) Classificar números naturais em primos e compostos, determinando seus divisores e construindo algoritmos por meio de fluxogramas.
Objetivos de Aprendizagem:
- Compreender o conceito de algoritmo como uma sequência finita de passos lógicos.
- Construir um fluxograma funcional para testar se um número natural é par, ímpar ou primo.
- Desenvolver o pensamento computacional matemática através da decomposição e abstração de processos.
Desenvolvimento Metodológico:
- Introdução Desplugada (20 min): O professor pede para um aluno explicar verbalmente, de forma detalhada, o passo a passo exato para escovar os dentes ou fazer um bolo. O docente escreve na lousa exatamente o que é dito, demonstrando como instruções ambíguas falham. Introduz-se o conceito de algoritmo.
- Trabalho em Grupo (40 min): Os estudantes, divididos em equipes, recebem blocos de papel em formatos geométricos padrão (ovais para início/fim, retângulos para ações, losangos para decisões condicionais sim/não). O desafio é desenhar o algoritmo para verificar se um número escolhido é divisível por 2, 3 ou 5.
- Validação e Teste (20 min): As equipes trocam seus fluxogramas. Cada grupo escolhe um número secreto e “roda” o algoritmo desenhado pelo outro grupo para testar se ele funciona perfeitamente sem erros de lógica.
- Sintese e Conclusão (20 min): Apresentação dos fluxogramas validados e discussão sobre como esse tipo de raciocínio é empregado na programação de computadores e no desenvolvimento de softwares modernos.
Avaliação de Matemática na BNCC: Uma Abordagem Formativa
A concepção de avaliação de matemática na bncc afasta-se da tradição punitiva calcada exclusivamente em provas mensais estáticas que medem apenas a retenção de rotinas algorítmicas. A avaliação sob a ótica da Base é contínua, diagnóstica, formativa e processual.
Avaliar em matemática alinhada à BNCC significa acompanhar a evolução do estudante na mobilização dos conhecimentos para resolver problemas complexos. Para aplicar essa concepção, sugere-se o uso diversificado de instrumentos:
- Rubricas de Aprendizagem: Matrizes transparentes que descrevem os níveis de desempenho (inicial, em desenvolvimento, proficiente, avançado) para cada habilidade trabalhada.
- Portfólios de Resolução de Problemas: Coleção organizada das produções dos estudantes ao longo do bimestre, incluindo rascunhos, revisões e autorreflexões sobre o processo de aprendizagem.
- Diários de Bordo Matemáticos: Anotações pessoais onde os alunos registram o que aprenderam, quais dúvidas persistem e as estratégias cognitivas que utilizaram para superar um desafio.
- Autoavaliação Guiada: Momentos estruturados para que o próprio aluno analise seu engajamento, trabalho em equipe e progresso conceitual.
Pesquisas Recentes e Formação Docente
A consolidação da BNCC exige investimento contínuo na formação docente matemática bncc. Pesquisas recentes no campo da Didática da Matemática destacam a importância de integrar a formação teórica à prática reflexiva da sala de aula.
A teoria das Situações Didáticas, formulada por Guy Brousseau, e os estudos sobre Mentalidades Matemáticas, desenvolvidos pela pesquisadora Jo Boaler da Universidade de Stanford, demonstram que todos os alunos são capazes de aprender matemática em níveis elevados, desde que expostos a tarefas de piso baixo e teto alto (tarefas acessíveis a todos, mas que oferecem profundidade para desafiar os alunos mais avançados).
Além disso, o legado da Etnomatemática, proposto pelo professor Ubiratan D’Ambrosio, reforça a urgência de valorizar os saberes matemáticos informais que os estudantes trazem das suas comunidades, conectando os objetos de conhecimento matemática bncc à realidade viva da sociedade.
Dicas Práticas para Professores e Estudantes
Dicas para Professores de Matemática:
- Valorize o Erro Construtivo: Trate o erro não como uma falha a ser punida, mas como uma janela diagnóstica valiosa sobre a estrutura de pensamento do estudante.
- Promova a Argumentação: Em vez de apenas responder “está certo” ou “está errado”, pergunte frequentemente: “Como você chegou a essa conclusão?” ou “Existe outra forma de resolver esse problema?”.
- Diversifique os Recursos: Integre ferramentas analógicas (materiais manipuláveis) e tecnologias digitais (softwares de geometria dinâmica como o GeoGebra).
- Planeje Sequências Didáticas Interdisciplinares: Articule a matemática com História (história dos números), Geografia (escalas e mapas), Ciências (gráficos e tabelas) e Arte (simetria e padrões).
Dicas para Estudantes de Matemática:
- Pratique a Explicação Verbal: Tente explicar a resolução de um problema para um colega. Ensinar é a forma mais eficiente de consolidar o próprio aprendizado.
- Não Decore Fórmulas Sem Entender a Origem: Busque compreender o significado geométrico ou lógico por trás de cada fórmula antes de aplicá-la.
- Desenhe os Problemas: Ao enfrentar um problema verbal complexo, faça esquemas visualizáveis, esboços ou diagramas para organizar os dados do enunciado.
- Mantenha uma Atitude de Curiosidade: Encare os desafios matemáticos como enigmas ou jogos que exercitam e fortalecem o cérebro.
Curiosidades sobre a História do Ensino da Matemática no Brasil
- O Movimento da Matemática Moderna: Nas décadas de 1960 e 1970, o Brasil e o mundo vivenciaram um movimento pedagógico que priorizou a teoria dos conjuntos e a abstração formal desde os anos iniciais. O movimento fracassou em larga escala por afastar a matemática da realidade prática das crianças, servindo de lição para as reformas curriculares subsequentes.
- A Evolução dos PCNs para a BNCC: Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), lançados no final dos anos 1990, trouxeram avanços valiosos ao propor o ensino por blocos de conteúdos. A BNCC avançou essa estrutura ao conferir um caráter normativo nacional e ao introduzir expressamente o pensamento algébrico desde os anos iniciais e o pensamento computacional.
- A Origem dos Símbolos Operacionais: Os sinais de adição (+) e subtração (-) como conhecemos hoje só começaram a ser utilizados de forma ampla na Europa a partir do século XV em textos de comércio. Antes disso, as operações eram escritas por extenso em latim ou grego, tornando a resolução de equações um processo extenuante.
Considerações finais
A implementação da BNCC matemática não se reduz a uma simples atualização de documentos burocráticos ou à troca de livros didáticos. Trata-se de uma verdadeira transformação cultural nas salas de aula de todo o Brasil. Ao colocar o foco no letramento matemático bncc, nas competências socioemocionais, no desenvolvimento do raciocínio crítico e na capacidade de solucionar problemas reais, a Base abre caminhos promissores para superar o histórico de aversão à disciplina que acompanhou gerações de estudantes.
O sucesso dessa jornada pedagógica depende fundamentalmente da valorização e do fortalecimento da formação docente matemática bncc. É o professor, em sua prática diária, quem traduz as diretrizes teóricas contidas nos códigos das habilidades bncc matemática em experiências de aprendizagem vivas, dinâmicas e transformadoras. Com o apoio de metodologias ativas no ensino de matemática, de um planejamento estruturado por meio de sequências didáticas matemática bncc relevantes e de uma postura avaliativa formativa, é plenamente possível construir uma educação matemática verdadeiramente inclusiva, rigorosa e encantadora para todas as crianças e jovens brasileiros.
Perguntas Frequentes
O que é BNCC e Matemática?
BNCC e Matemática é um tema abordado neste artigo.
Quais são os benefícios?
Os principais pontos foram apresentados ao longo do conteúdo.
Sobre o autor
Valdivino Alves de Sousa é Mestre em Educação pela Universidad Europea del Atlántico (Espanha), Licenciado e Bacharel em Matemática, graduado em Pedagogia, Ciências Contábeis, Direito e Psicologia (CRP 06/198683). É especialista em Educação Matemática Comparada, Psicopedagogia, Gestão da Segurança e Tecnologia da Informação e Terapia Cognitivo-Comportamental.
📧 Contato: valdivinosousa.mat@gmail.com




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